FEVEREIRO ROXO – ALZHEIMER, COMO ESTE MAL SILENCIOSO IRÁ AFETAR NOSSO FUTURO?



  Por Dr. Marcio Rogério Renzo 


    Segundo a dados oficiais, o Brasil possui cerca de 1 milhão e duzentas mil pessoas portadores deste mal e no mundo este número deve chegar a 35,6 milhões de pessoas. Com o envelhecimento da população mundial, esses números sofrerão aumentos expressivos chegando aos 65,7 milhões de portadores em 2030 e em 2050 atingirá 115,4 milhões pacientes, dois terços deste total se concentrando em países em desenvolvimento. 

     Ao observarmos estes números podemos perceber que esta doença não são apensas casos isolados e sim uma crise de saúde pública, que dispenderá dos governos atenção e gastos a fim de minimizar seus efeitos. 

    O “Mal de Alzheimer” como é chamado popularmente, ou “Doença de Alzheimer (DA) se apresenta como uma degeneração progressiva e irreversível de algumas das funções cerebrais, como: perda de memória, dificuldade de orientação no tempo e no espaço, dificuldade de desenvolver pensamentos abstratos, dificuldade de aprendizado e realização de cálculos simples, dificuldades na linguagem, comunicação, desta forma afetando o paciente na execução de suas atividades de vida diária. Alterações de personalidade também estão presentes, bem como de critério de julgamento.


    É importante esclarecer que a doença de Alzheimer é uma forma da chamada Demência, a mais comum na verdade, porém há outros tipos de demência, como as em decorrências do sofrimento de pequenos infartos em áreas específicas do cérebro que podem provocar alguns dos distúrbios citados anteriormente. 

   A causa dessa doença ainda não foi definida em exatidão, porém acredita-se estarem relacionadas às situações complexas que ocorrem dentro do cérebro, mas a idade é o principal fator de risco para o desenvolvimento deste mal. 


   Observou-se que a partir dos 60 anos de idade é que costumam ser desencadeados os primeiros sintomas, aumentando exponencialmente com o passar dos anos. A cada 5 anos o número de pacientes dobram. 5% dos pacientes se concentram na faixa entre os 65 e 74 anos de idade, sendo que a partir dos 85 anos, metade dos indivíduos desenvolverão a doença. 


Os principais sintomas podem ser atribuídos de acordo com as fases da doença. 


    A doença de Alzheimer se apresenta em 4 fases: inicial, intermediária, final e terminal. 


   Inicial: caracteriza-se pela perda de memória, confusão e desorientação, ansiedade, agitação, ilusão, desconfiança, alteração de personalidade e do senso crítico. Começam a apresentar dificuldades de realizar as atividades de vida diária (banho, cozinhar, telefonar, etc.).


    Intermediária: os pacientes nessa fase tem dificuldade de reconhecer familiares e amigos, perde-se em ambientes conhecidos, tem alucinações, perda de apetite, perda de peso, incontinência urinária, dificuldades na fala e comunicação, apresenta movimentos e falas repetitivas, problemas com sono, passam a depender ainda mais de ajuda para suas atividades rotineiras, desenvolve os primeiros problemas motores, ficam parados “perdidos em pensamentos”. 


   Final: aqui, a dependência total já está estabelecida, a imobilidade é crescente, incontinência urinária e fecal (dupla), tendência a assumir a posição de proteção (fetal), tende a ficar mudo, restrito à poltrona e leito, podem desenvolver úlceras de pressão (escaras), aumento da perda de peso, infecções urinárias e respiratórias se intensificam e por fim, a perda da comunicação.


    Terminal: Agravamentos dos sintomas da fase final, infecções de repetição, disfagia (necessidade de alimentação enteral). 


     Como a Fisioterapia pode ajudar??


    Como observamos, o paciente de Alzheimer tem como principais alterações, na fase inicial e intermediária, modificações em sua estrutura física, pois a perda de massa muscular, alterações em sua postura e coordenação motora traz ao indivíduo a dependência nas atividades de vida diária. A fisioterapia trabalha neste momento justamente para tentar adiar essa dependência, utilizando-se de técnicas para fortalecimento muscular, alongamentos, consciência corporal, coordenação motora, além de trazer o bem estar psicológico ao proporcionar uma melhor qualidade de vida. 


     Com a progressão da doença que leva a restrição do paciente ao leito, a fisioterapia intervém através de cuidados, ainda que paliativos, porém de suma importância. A restrição ao leito, a perda de mobilidade no leito são fatores que levam ao surgimento das escaras de pressão. Desta forma, com técnicas para estímulo a cicatrização, as feridas são tratadas de maneira mais eficiente. Outro problema detectado está relacionado ao sistema respiratório, é alto o índice de problemas tais como pneumonia, pneumonia aspirativa, etc. Por isso, as técnicas para higiene brônquica, aumento da capacidade ventilatória, dentre outras são indicadas. 


   Mas Doutor, quantas sessões tem que ser feita? 


    Não há como prever quantas sessões serão necessárias para que o paciente tenha um acompanhamento ideal, porém aconselha-se que tenham de 2 a 3 sessões por semana, mas as atividades de exercícios sejam diárias. Porém se não há condições financeiras para custear o acompanhamento pelo profissional em fisioterapia, pode-se contratar um profissional para uma avaliação e evolução a cada 3 meses, onde o profissional fisioterapeuta poderá orientar, após a avaliação, aos familiares e cuidadores sobre quais exercícios fazer e sobre quais cuidados devem ser adotados. 


     É importante entender que cada paciente é único e pela grande maioria se tratar de pacientes idosos, conhecer limitações fisiológicas da idade, afim de que se atinja um resultado adequado. 


A prevenção ainda é o melhor dos remédios!! 


     A prevenção continua sendo a mais barata e melhor forma de tratamento à todas as doenças. Foram comprovados em estudos que a adoção de hábitos saudáveis foi primordial para a prevenção do Mal de Alzheimer. Pessoas que mantinham dietas equilibradas, com baixas quantidades de gorduras, faziam uso moderado de álcool (duas doses diárias para homens e uma para mulheres), não faziam uso de tabaco, praticavam atividades físicas moderadas ou intensas, mantiveram estímulos cognitivos (leitura, escrita, aprendizagem, etc.) tiveram uma redução de quase 60% nas chances de desenvolver a doença. 

   

     É importante entender que esquecer onde colocou a carteira, as chaves do carro não querem dizer que a pessoa esteja com Alzheimer. A perda de memória pode ser causada por uma infinidade de fatores (medicamentos, depressão, distração, uso de álcool, estresse, etc..) A perda de memória que podemos relacionar ao Alzheimer são: esquecimento de eventos recentes, atividades, pessoas da família de forma que acabam por atrapalhar o desenvolvimento de suas atividades diárias. Esses são fatores importantes em se observar, principalmente em idosos. Portanto, os familiares e pessoas responsáveis pelo cuidado com idosos devem estar atentos a esses acontecimentos. 


Não esqueça, ao sentir, ou perceber que algo não está bem, procure orientação de um profissional habilitado!!!



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